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Crónica potiguar

Crónica potiguar

É este o momento para parar, obrigado!

Junho 28, 2019

José

O blog sempre sempre foi despretensioso quanto à visibilidade que poderia alcançar. Na verdade sempre procurou ser um espaço alternativo do autor, não por necessidade de se esconder, mas para não misturar papéis. Nunca procurei profundidade, mas dar conta de algumas reflexões do quotidiano, não necessariamente problemas, mas reflexões sobre a vida. Diria que busquei lugares comuns para os trazer aqui de forma sistemática e encadeada. Os Blogs Sapo destacaram os meus posts diversas vezes, não calculei mas foram muitas. O próprio Sapo fez destaque. Algumas pequenas ideias foram partilhadas em diversos espaços. Agradeço tudo isso. Talvez por ter atingido toda essa visibilidade é chegado o momento de parar e reflectir sobre a continuidade. Não vou eliminar o blog, mas a minha ideia é privatiza-lo, não ocorrendo a privatização nos termos capitalistas, mas reservando o acesso apenas ao autor, não querendo com isto dizer que o vai transformar no diário da vida íntima e privada. Parece contraditório mas não é. Tenho outros espaços de intervenção, não quero que a visibilidade que o blog tem assumido os ocupe, nem quero ter visibilidade a partir daqui, mas pelo que faço como pessoas nas esferas públicas e assim assumidas. Agradeço todo o apoio, sobretudo a quem me acompanhou com mais frequência (tenho sempre problemas em retribuir, fico em falta), mas esta é a decisão do momento, pois pretendo dedicar-me a outras coisas, sendo que não vou certamente deixar de escrever, seja qual for o suporte. Muito obrigado e até breve.

O blog vale o que vale, são palavras de quotidianos

Junho 27, 2019

José

Estranhamente hoje tive muitas visitas no blog e não me apercebi do real motivo. Um comentário a colocar em causa o facto de um desabafo meu ter sido destaque alertou-me. Não recebi nenhuma notificação dessa escolha e nem acho nada de especial o post. A maioria são pequenos desabafos, não tenho pretensões de sucesso com o blog. São apontamentos, reflexões, desvios de outras redes sociais que prefiro deixar aqui. tem um ou outro texto mais opinativo, mas a maioria são breves relatos, por isso se chama crónica e não artigo ou opinião consolidada sobre o tema A ou B. tenho outras invervenções nas quais deixo esses formatos, aqui são notas, breves opiniões sobre o que é breve e sobre o que é constante. Sou do tempo dos blogs com centenas de comentários e trocas de opinião, gosto desse estímulo. agora tudo se reduz a momentos, até pelo facto de ter a minha dedicação apontadas noutras direcções. Reparei recentemente que o meu pequeno texto contra o artigo ortográfico tinha sido destacado no Facebook por um dos movimentos contra o acordo. Não é algo que busque, pois como digo deixo apenas apontamentos, não reflexões aprofundadas ou até consistentes. Quero entregar-me ao prazer de partilhar palavras, o que não obriga a grandes movimentos nem expectativas. Quando sou convocado para intervir noutros espaços terei nesse caso de me preparar para adequar a narrativa, os argumentos e a ortografia. Aqui é mero desprendimento da vida quotidiana.

Saudade não é apenas amor

Junho 27, 2019

José

Um primeiro esclarecimento, a contradição não é da saudade mas dos diferentes mundos em que nos articulamos e não podendo permanecer em apenas um deles sentimos saudades dos outros. Parece estranho mas não é. Um emigrante sabe disso na pele. Sente saudades dos seus mas ao estar com os seus sente saudade do lugar que o acolheu. Andamos meses ou anos para reencontrar familiares e amigos e lugares e duas semanas depois sentimos saudades do lugar que nos acolhe, mas isso como digo deve-se ao facto da nossa pertença ser a de vários mundos. Pode parecer menosprezo pelos nossos mas não é. O nosso ancoradouro são na verdade vários. Não é contradição. Resulta de novas rotinas e afectos que a vida possibilita. Existe a ideia romântica segundo a qual quem ama é que sente saudade, podendo aqui interpretar-se amar como gostar. Porém, a saudade não resulta apenas de amor. Mas também dos hábitos, rotinas diárias, lugares, paisagens, o que observamos e marca determinado momento. Não é apenas sentimento, é também contexto. Saudade não é apenas amor, é a tal vida que levamos e as suas dimensões. Isso resulta depois em sensações que nos parecem estranhas e lugares de pertença que nos parecem indefinidos.

Apoio aos emigrantes que pretendem regressar paga a viagem

Junho 27, 2019

José

Esta semana o governo português anunciou 6.500 € de apoio aos emigrantes que queiram regressar. A julgar pelo preço de algumas viagens esse valor suporta o custo do regresso se for por pessoa e não tiver que despachar muita bagagem. Sei que isso depende do país. No caso do Brasil é fácil de entender a redução do número de turistas. Quem trabalha em terras de Vera Cruz está lascado. Tem cidades mais em conta, o problema é que alguns voos podem durar 24 horas ou mais. O pior de tudo é que aparentam ser mais baratos mas vamos ver as taxas e ao fim e ao cabo é quase o mesmo que o preço do bilhete. Fui consultar os voos a partir de Lisboa e davam cerca se 1500 reais de taxas, o que apesar do câmbio favorecer o euro é bastante dinheiro. Uma média de 340 euros só de taxas. Somando mais de 500 euros na própria viagem dá para cima de uma fortuna. São poucos os voos directos e os indirectos andam às voltas. O dinheiro que se gasta em alimentação ou eventualmente em estadia fazem-nos enlouquecer com a tentativa de escolher a melhor opção. 

A saúde preocupa mais

Junho 26, 2019

José

Todos nós temos como principais preocupações a saúde e o emprego, estão na base do que somos e fazemos. Aqui no Nordeste acrescento a insegurança pública. Pode parecer um pormenor mas é um problema gravíssimo. Ainda assim a saúde é uma preocupação central. Não só por estar longe do meu país mas por morar só e ter problemas crónicos, que não sendo incapacitantes causam preocupação e por vezes aflição. O problema não é a doença em si, esta ou outra, mas os meios disponíveis e a rapidez da resposta. O equivalente ao nosso Serviço Nacional de Saúde tem melhorado mas não é comparável. A regra são os seguros privados de saúde, não necessariamente baratos e em que tudo é pago. É verdade que o SNS tem problemas, mas presta em regra um serviço de qualidade e gera confiança nas pessoas. Também já esperei meses para ser atendido, até anos, significa que temos espaço para melhorar. Por aqui a espera é nos privados, em regra piores que o nosso SNS, a não ser que o doente tenha cartão dourado. Mas o que mais sobressai é o carácter universal do sistema de saúde, tal como o ensino. Só isso já deixa as pessoas mais tranquilas.

Ressabiado sim, solidários nem tanto

Junho 26, 2019

José

Creio que nunca partilhei uma notícia ou parte de uma notícia divulgada na comunicação social, mas a situação é especial, contando que seja verdadeira, pois sabemos de situações em que no final a história é outra. Hoje comento a notícia "Matilde tem dois meses e precisa do remédio mais caro do mundo para sobreviver", título do Jornal de Notícias que pode surgir com outros títulos em cada jornal. Comento essencialmente por três motivos que desenvolvo em poucas palavras:

  • O caso em si, que apela ao nosso lado solidário, a juntar um pouco de nós que pouca ou nenhuma falta faz mas que muito é para aquela família. Podemos pensar que esse é o papel do estado, é um facto, mas esta não é uma doença qualquer e podemos nós dar um importante contributo e chegar onde o estado não chega por não poder ou não querer. Entendo a definição de prioridades do estado, porém, é necessário o mínimo de humanidade e condescendência. Do ponto de vista clínico são necessárias mais opiniões, tanto do diagnóstico como da cura. Será que a criança fica curada após tomar o medicamento? 
  • O preço vergonhoso do medicamento, porventura suficiente para fazer uma pesquisa específica de raíz, deve ser motivo de debate e regulamentação. Será que o problema somente se resolve nos EUA? Que outros caminhos são possíveis e que instituições por essa mundo fora podem ajudar e dar visibilidade a este saque da empresa farmacêutica? É apenas uma criança inocente que vai entrar no mercado dos medicamentos, coisa dos tempos modernos em que o valor da vida se mede por uma caixa de medicamentos. 
  • Os comentários ressabiados e indiferentes dos leitores do jornal. Tem gente que não se contém com a única coisa sobre o qual sabem falar. Na verdade são duas coisas: política e futebol, geralmente sem entenderem nada, mas com argumentos suficientes para atirarem algumas bocas ao ar contra o que acham ser seus adversários. Não suporto a rotatividade do comentário político nas mudanças de legislatura, ou seja, mudam a cor do eixo do governo mudam os alvos do ataque, sendo que por vezes são as mesmas pessoas a atirar coisas para o ar, mas como digo o alvo preferencial é o adversário.

Espero que o problema se resolva, mas continuamos com soluções pontuais para casos mais difíceis. Pode até ter justificação, mas temos de criar estruturas para que não seja tão angustiante para os envolvidos diretamente. No caso da saúde é inadmissível como estas empresas operam, sendo que depois têm acordos com a administração pública para fornecer outros medicamentos. Não sei se é o caso, mas é tudo ganância e nada em prol do ser humano. Não é uma situação fácil. Não coloquei dados sobre o caso da Matilde pois podem encontrar tudo no link do Jornal de Notícias e no Facebook. 

Faltam muros para saltar

Junho 26, 2019

José

Todos os dias se vencem, contornam ou evitam obstáculos. Na condição de emigrante outros tantos surgem no quotidiano. Felizmente nunca tive problemas nesta condição de estrangeiro, ainda que algumas coisas sejam particularmente difíceis. Já contei aqui algumas peripécias para tirar/renovar o visto. Por vezes outros pequenos pormenores, entre eles linguísticos. Nas primeiras aulas alguns alunos têm dificuldade em entender. Nem eu os entendo. Em contextos mais populares é mais difícil ainda, mas com calma dá tudo certo. Desta vez não vinha necessariamente falar de todos esses obstáculos mas das barreiras que o homem ergue no território. Na memória os muros que seguram os socalcos nas Beiras, Douro, Trás-os-montes e Minho. Aqui o chão é plano e os corpos ressequidos pelo Sol e apaixonados pelo olhar. Conheço diversas serras, mas o que pontua são os quilómetros de planura. Estradas planas com vegetação rasteira, a caatinga, com rectas que em alguns casos parecem ter 20 ou mais monótonos quilómetros. Na cidade os muros que vejo são das moradias, tudo mais é duna e areia. Quando a água vem parece um crivo, excepto nas áreas artificializadas, que rapidamente enchem de água. Tudo mais as chuvas arrastam. Sem muros os morros deslizam e a cidade se aflige. Não tem como saltar de muro em muro,  de quelha em quelha. A vegetação também nem sempre ajuda. A caatinga no litoral é substituída pela Mata Atlântica. Sobram poucos troncos em que me agarrar. Só mesmo os que reencontro nas lembranças de sempre. 

"Os atrevidos ficam com as mulheres bonitas"

Junho 25, 2019

José

Não faço ideia onde li ou escutei que "os atrevidos ficam com as mulheres bonitas", mas é um tema a merecer debate. Na verdade é verdade (até dobrei a língua), ainda que não totalmente verdade. Vejo também com preocupação, pois desmorona a ideia de amor, ainda que essa ideia do amor como paixão já esteja em cacos. E desmorona porque motivo? Transforma o amor numa dança ou num saltar de cadeiras em que nem todos estão aptos ou estão aptos para um nível mas não têm habilidades para chegar ao outro. Ou seja, talvez as qualidades pouco importem, mas sim as habilidades. Na adolescência sabíamos que os "engatatões" tinha mais sorte. Também não admira, os restantes permaneciam nos bastidores. Confesso que essa possibilidade causa-me preocupação, pois vem no sentido das relações por interesse. Sei que não existe necessariamente essa causalidade e a questão terá de ser vista numa perspectiva mais macro. Mas isso não ajuda a justificar o grande número de solteirões? Tradicionalmente a questão das solteironas é diferente, ficavam como rejeitadas, não sei se para o amor se para constituirem família, pois quem possuía mais "bens" tinha a vida facilitada. Em suma, essa imagem do atrevido é associada a homens. É como uma caçada em que os mais atrevidos conseguem as melhores conquistas. Daí a ideia me assustar, pois o amor é já uma forma de segmentação social. Niklas Luhmann tem um livro muito interessante com o título O amor como paixão. Para uma codificação da intimidade. Talvez a releitura ajude nesta reflexão. Seja como for não deixa de ser assustadora a ideia de uma segmentação de classe por ordem de atrevimento, em que os "calados" ficam no final de todas as filas, a não ser que o jogo mude e as atrevidas fiquem com homens bonitos mesmo sendo calados. Estranhas concepções de amor estas. Prefiro nem amar e me esconder, pois de tudo o que busco não busco ascensão. 

Apaga a luz que o tempo é de reflexão

Junho 24, 2019

José

Não sei se o travesseiro é o nosso melhor conselheiro, até pelo facto de por vezes acabar sem travesseiro de tanta volta que dou na cama. Isto quando fico a noite inteira na cama. Sempre tive um sono leve, durmo de cansaço e passadas algumas horas acordo e tenho dificuldade em voltar a dormir. Nesse tempo todo vejo as notícias do mundo, sobretudo em jornais online de vários países. A noite não é necessariamente para reflexão ou fuga, é para descanso do corpo e quando assim não é para contar as horas de espera. Pertinho da madrugada durmo mais um pouco e geralmente é suficiente para aguentar o dia, sendo que os meus dias são em regra intensos e longos. Sempre dormi pouco desde que me conheço, ainda que não seja saudável levo tranquilamente. Os momentos de reflexão, se assim os posso chamar, acontecem no fim de semana, naqueles em que não tenho nada para fazer para ontem. Ainda durmo, descanso, olho para dentro, para trás, para diante, para o chão e para o alto. É uma emersão na vida e na existência, só não é terapia, pois deixo as análises para especialistas. É apenas um momento para recuperar forças interiores e exteriores. Sempre que posso tem também as minhas longas caminhadas, essas sim, são boas para terapia, fazem bem ao corpo e à alma. Levam-me em viagem até onde as pernas permitirem. Não é sempre, mas ao longo do ano faço dezenas dessas caminhadas, o que dará algumas centenas de quilómetros. Fora os cálculos é bom. O descanso a seguir é bem merecido. Tenho dias seguidos com pelo menos 12 horas em movimento, se não estou preparado e se não recupero fica difícil. Por isso também tenho momentos em que quase hiberno, é aí que me refugio na minha pequena ilha. Sei que por vezes sou meio estranho, fico sem paciência para algumas coisas. Morar só muitos anos gera pouca aptidão para gastar conversa e estar por estar. E com a idade ficamos a contemplar o que a vida ainda nos reserve, pois aqui já nos trouxe. Não sou mensageiro da vaidade, mas é bom esse refúgio. Prepara-nos para sorrir mesmo nas horas difíceis. Não quero isto dizer que morar só equivale a horas difíceis, tem coisas boas e menos boas, deixa-nos mais resilientes, mas porventura menos abertos a deixar alguém na nossa vida. 

Aspirar e transpirar

Junho 24, 2019

José

Antes de terminar a escolaridade obrigatória os meus familiares adoravam dizer que eu não ia seguir o mesmo rumo do resto da família pois me tinham colocado para estudar. Não imaginavam que a escolaridade obrigatória representava já na altura pouca coisa, ainda que fosse uma melhoria. Depois acabei por me mudar e concluí a escolaridade e quase tudo o que a universidade permite. O que quero dizer é que apesar das dificuldades e do real entendimento das coisas a família aspirava em dar uma vida melhor para mim e eu queria realmente seguir outro caminho. Ainda hoje tento descobrir qual, não por me sentir confuso mas por essa vontade de querer conhecer mais. O que me entristece em muitas pessoas no Nordeste, incluindo alguns professores e alunos é a falta de aspiração. Também tenho momentos em que me sinto desmotivado, mas tento não contagiar muitos dias. Adoro ver notícias de sucesso. É frequente ler notícias do filho de diarista (mulher a dias), de pequeno agricultor ou catador de lixo que conclui medicina ou outro curso. É muito bom, mas são casos raros. Parte das pessoas não tem aspiração para os filhos. Seguem a lógica que nós seguimos, de ter muitos filhos para garantir a força de trabalho. Romper com esse ideário é uma luta de gerações. Seria necessário mais apoio, infelizmente as políticas vão agora com rumo incerto.

O Sol quando nasce é para todos, a sombra não

Junho 24, 2019

José

Nem sempre ficar na sombra tem carga negativa, mesmo assim é necessário perfil para ficar na sombra de alguém. Quando cheguei ao Nordeste deparei-me com uma prática corrente no momento de comprar ou alugar casa. O conselho de amigos era que "No Sol não!". O clima apesar de ficar mais ameno agora em junho/julho/agosto é um ameno relativo. É um inverno de chinelos e calções, ainda que a chuva possa ser muita. Nos restantes meses o calor aumenta e aumenta a humidade do ar. Aqui na cidade atinge pouco mais de 32 graus, mas com tão elevada humidade são insuportáveis. Tem cidades com elevadas temperaturas e humidade, geralmente situadas no litoral, pois o calor sertanejo tem semelhanças com as elevadas temperaturas do Alentejo. A diferença é que faz calor o ano inteiro e raramente chove. Com tudo isso qualquer apartamento exposto ao Sol é desvalorizado. Por vezes a diferença é muito grande e justicada. Se os materiais usados não favorecerem ou os residentes forem acalorados é necessário dormir com o ar condicionado ligado. A despesa mensal é enorme. 

A minha geração falhou no combate às alterações climáticas?

Junho 23, 2019

José

António Guterres afirmou hoje que a geração dele falhou na luta contra as alterações climáticas, mas será verdade? Não creio, é uma leitura pessimista com objetivos bem definidos. Falhou a luta contra a degradação ambiental, ao ponto de em 2030 não se alcançarem as metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. A Agenda 2030 é mais abrangente e sustentabilidade não é apenas ambiente, mas o fracasso é extensível à insustentabilidade e ao fracasso na redução das desigualdades. Aí sim, o fracasso é enorme e não parece que seja tão depressa revertido. Quanto à questão climática é exagero pois não conhecíamos o problema e a sua dimensão. Existe fracasso nas cimeiras mundiais, mas cada vez mais se avança ao nível dos países e nas diversas escalas. Não foi fracasso nem sucesso. As pessoas estão mais sensibilizadas para o problema, a ciência avançou muito. Falta articulação política internacional e trabalhar mais o papel da cidadania, sobretudo na mudança de hábitos de consumo. As empresas também podem fazer mais. Então qual o motivo da afirmação? Tem vários. Primeiro, é oportuno e surge num momento delicado de eventos climáticos e mobilização dos jovens em quase todo mundo. Segundo, mas central para Guterres, o mandato como secretário geral das Nações Unidas tem tudo para ser mais do mesmo. A organização não tem força nem dinheiro ou influência para resolver vários conflitos armados, nem a fome ou o problema dos refugiados. Colocar o tema no centro da agenda das Nações Unidas é igualmente colocar Guterres na transição de paradigma e ele sabe isso muito bem. O facto não retira mérito à sua intervenção, pois como afirmei estamos numa fase de agravamento, a partir daqui será só somar eventos graves. É igualmente oportuno por aproveitar esta quase inesperada mobilização de jovens. A participação em causas públicas tem vindo a diminuir assustadoramente, estes movimentos revitalizam o ambientalismo, a participação social e as políticas públicas. 

Vazamento é a palavra do momento

Junho 23, 2019

José

O debate político no Brasil e a ligação ao combate à corrupção tem colocado em cena algumas expressões bem interessantes. Os processos em si opto por não seguir por uma questão de sanidade, mas esse outro lado é interessante e pode ser comparado com situações semelhantes em Portugal. Por exemplo, se no inicio da operação Lava Jato as expressões mais usadas eram delação premiada e caixa 2, neste último mês só se fala em vazou e vazamento e tudo vai ao rubro. Delação premiada equivale a um investigado pela justiça e que se coloca no lugar de arrependido e colabora com a investigação. Caixa 2 não é nem mais nem menos que o nosso saco azul. Vazamento ou matéria que vazou equivale grosso modo ao nosso debate sobre o segredo de justiça, que é tudo menos segredo, mas também a denúncia de irregularidades. No caso deste último vazamento é mais do que isso, é investigação paralela que alguém "detonou" na comunicação social. Esse caso é semelhante ao de Rui Pinto em Portugal e outros internacionais. Detonou significa colocou na comunicação social para viralizar. Pode parecer confuso mas é simples. Bem complicados são os processos e o seu impacto no futuro do país. Vamos aguardar por desenvolvimentos.

O fascínio pela tecnologia

Junho 22, 2019

José

A disputa em curso pela rede 5G segue a ideia do fascínio pela tecnologia mas tem atrelado algo mais importante que deveria ser motivo de um amplo debate. As propostas para aproveitar 4.5G parecem não ter saído do papel. A rede 4G em muitos locais, incluindo portugueses, é muito deficitária. Já se viu que a rede 5G não intervem apenas na própria rede, pretende sobretudo vender equipamentos. A corrida a recursos naturais, a obsolescência de equipamentos novos, o aprofundamento de desigualdades sociais e as opções de compra dos mais vulneráveis são questões a ter em conta. Querem vender os telemóveis topo de gsma e equipamentos de distribuição de sinal, estão a criar uma necessidade e a dizer que possuem a melhor solução. Não podemos defender o ambiente e depois organizar uma corrida pelos recursos naturais. Vai algo errado aqui. Sem esquecer que pobres e ricos vão estar ligados mas a despesa pesará mais nos orçamentos familiares dos mais pobres. Precisamos de medidas que atenuem desigualdades, mas o preço dos telefones supera por vezes o dobro ou o triplo do ordenado mínimo. Algo vai mal, sobretudo pelo facto de muitos equipamentos quase não terem uso, pois ficam fora de modo. Os plásticos são uma preocupação, mas e os telemóveis? Exploração intensiva de recursos naturais e abandono de equipamentos novos, é isso que vamos ter. Mas também pobres sem dinheiro a gastarem parte da renda familiar com celulares e sem dinheiro para a iluminação e renda mensal.

O tempo não volta para trás nem nós sabemos o caminho

Junho 22, 2019

José

A letra da música diz Oh tempo volta para trás/dá-me tudo o que eu perdi. Como poema é belíssimo na estética e na forma como traduz esse sentimento comum, segundo o qual uma segunda oportunidade nos leva a corrigir erros e aproveitar melhor a vida. É um posicionamento muito discutível, desde logo face ao argumento "Não aproveitaste a primeira oportunidade achas que vais aproveitar a segunda?". Mas também ou sobretudo pelo facto da vida ser contingência e interacção, pelo que só se escreve uma história, ninguém voltaria atrás para corrigir apenas os erros, iria certamente viver outra vida com erros e vitórias. Creio que o usamos mal o nosso foco ao evocar esse posicionamento. Dá ideia de arrependimento e de se querer fazer melhor. A vida tem os seus acontecimentos constantes e que ocorrem apenas com um flash, não tem segunda oportunidade. Até as relações amorosas vacilam face a segundas oportunidades. Precisamos olhar para o que de bom foi feito e escreve a nossa história. Um pouco na lógica "dos fracos não reza a história", tomando aqui os fracos como os obstáculos e as dificuldades de superação, não para os remeter à invisibilidade, mas para fazer sobressair aqueles que foram efectivamente superados. São esses que elevam a auto-estima e que vão permanecer para as gerações futuras. Tudo mais são caminhos usados para se chegar, por vezes até com GPS erramos para alcançar algo próximo, na vida temos por vezes dificuldade em entender algo óbvio. Mas para os outros resumimos: o GPS fez-me andar às voltas mas cheguei bem ao destino. O mesmo se traduz na narrativa das histórias e mistérios da existência, mesmo que o destino já esteja escrito, dizem.

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