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Crónica potiguar

A memória é uma distância fodida

por José, em 30.09.18

Poderia inverter e dizer que a distância ou a saudade são uma foda, é verdade, mas o que custa mais é a memória e rotina antiga. A memória das pessoas e dos lugares, de tudo o que aprendemos na relação com os outros e todo o sentimento e selectividade que ficou. Parecem coisas pequenas, mas quando largamos o nosso país tem muita coisa que parecia consolidada, não necessariamente certa, conhecia o suficiente do mundo e da vida para saber isso, mas a rotina ajuda. Morei uma década e meia distante das minhas raízes e da família, mas até aí tinha rotina, em média todos os meses sabia onde ficava o meu refúgio. A 6 mil quilómetros e com um custo elevado, pois low cost não é palavra que se escute nessas viagens, fica difícil restabelecer essas rotinas e estar em paz nesse refúgio. Não se trata de integração, cultura ou outra coisa, tem coisas que somente sentimos lá onde as pedras e as pessoas nos conhecem. Mas o inverso também se dá, talvez fruto da resiliência tem coisas que só a distância mostra. No meu caso a distância e o silêncio. Redescobri aí a poesia. Com o coração em catarse restou-me escolher o silêncio.Aliás, era um culto antigo, apenas o convoquei de novo para me acompanhar. Sabia que para ser mais forte teria de ser eu a seguir caminho e a escutar a paz duradoura que se esconde geralmente em nós.

Maldita política

por José, em 30.09.18

Maldita política que ocupa o espaço das relações, é motivo de discórdia e atraso. Assim fica difícil. É necessário enfrentar os bloqueios de frente e reformar a administração pública e a lei eleitoral. De outra forma os velhos coronéis surgem com outros nomes, mas com vantagens e mordomias. Tanto político no activo não se pensam os reais problemas, apenas como caçar mosquito depois de ser apanhado. Sobretudo a resposta local será totalmente ineficaz sem corpo técnico e sem planeamento. Existem bons recursos humanos, mas acabam parte deles por seguir a demagogia pois é preciso ganhar a vida. Não creio que as pretensas manifestações de união resultem em efeito prático.É verdade que são movidas por um dado comum, mas cada um vai continuar na sua capelinha. Era fundamental um foco no futuro e no interesse comum, mas é algo complicado, mas não se pense que é só aqui. A ideia enviesada com que se olha o Brasil faz esquecer que outras grandes potências sofrem o mesmo. Sim, o Brasil é uma grande potência, só necessita se organizar e melhorar a auto-estima.

Portugal eu já conheço

por José, em 30.09.18

Cruzo-me em várias conversas sobre Portugal e o Brasil. A primeira observação que fazem é: oxente todo brasileiro está querendo ir para Portugal e você veio para o Brasil? É difícil fazer-me entender, não por diferenças dr linguagem, que existem, mas quanto ao entendimento da questão. Geralmente respondo que Portugal eu já conheço. Tem sempre lugares e pessoas para conhecer mas é um facto. Assim sendo, conhecer outros lugares e culturas só acrescenta. Poderia falar nas dificuldades em arranjar emprego cientifico em Portugal, o que também é verdade, mas a experiência de sair, fazer investigação sobre outros temas, rever conceitos, ter autonomia e ensinar temas novos, ou seja, aprender, são motivos muito fortes. 

Já cá estou

por José, em 30.09.18

Geralmente gosto de dar encaminhamento às minhas ideias, não sou de desistir fácil e irrito-me com quem essa postura na vida. Não tenho nada contra, mas tem muita energia que se gasta em vão. Servem as palavras para dizer que a Poesia quotidiana continua, mas terá maior continuidade na página do Facebook. Por vezes sinto igualmente necessidade de dizer algo mais padronizado, seja em crónica ou desabafo. Aderi aos bligs desde que começaram a ser de uso comum, fui destaque algumas vezes, mas nunca através da poesia. Tentarei deixar um relato, não necessariamente quotidiano, da vida longe do bater do coração. São quase 3 anos de Nordeste, com uma grande aprendizagem e labor, mas tem coisas que só sentimos na proximidade.