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Crónica potiguar

Reforma aos 50 anos parece piada

por José, em 30.10.18

É verdade que na generalidade os brasileiros começam a trabalhar mais cedo, mesmo os que vão para a Universidade, nesse caso por ter menos 1 ano o ensino pré-universitário e ser mais rápida a integração na vida activa. Mesmo assim somente os funcionários públicos usufruem do benefício da reforma completa muito jovens. Ainda ontem me cruzei com uma pessoa mais jovem do que eu que me dizia que se vai aposentar. Falava das preocupações relativamente ao futuro mas afinal tem o futuro garantido. É no mínimo estranho alguém de fora entender isso, sobretudo sabendo que a sociedade é muito estratificada e que abaixo de pobre ainda tem o pobre do emprego informal, o pobre sem emprego, o pobre da favela A ou B, o pobre de rua... A classe média que em Portugal é a larga maioria aqui será cerca de 30%. Quando se vai sair por exemplo para jantar é muito comum cruzar com pessoas conhecidas. No centro comercial mais ainda. Apesar de ter mais habitantes a quantidade de pessoas com as mesmas práticas é menor. Tem a elite, mas as tais famílias do poder não se misturam com ninguém .

E agora Brasil?

por José, em 29.10.18

Como afirmava ontem, pouco importa quem ganhou se a polarização for para continuar e se a paz social tardar. Teve eleições, os brasileiros fizeram a sua escolha, agora o jeito é aceitar e esperar que as regras democráticas sejam cumpridas. Manifestei-me preocupado com passíveis milícias, de algumas pessoas que pensam que a vitória permite fazerem o que quiserem. Acredito nas instituições e que rapidamente esse ímpeto seja rechaçado também pela presidência. Não gostei de ver pessoas com posição social e bem formadas a usarem expressões populares. O Brasil necessita de paz social, insistir na oposição petistas vs coxinhas vai trazer mais do mesmo. Vai ser necessário entender o que será feito em diversas áreas. Uma dessas áreas é a corrupção. Não adianta dizer que se quer acabar com a corrupção quando o pequeno negócio é informal e se liga a pedir um jeitinho. Mas não é só a corrupção e informalidade. Tem famílias inteiras suportadas financeiramente pelo estado só pelo facto de um dos membros exercer um cargo público. Muito haverá que debater e esperar. Seja qual for o governo e contexto a cidadania tem de ser forte, o que não significa que deva estar politicamente vinculada, nem tudo é política partidária.

O problema do Brasil não é ideológico

por José, em 28.10.18

Seja qual for o resultado da votação de era bom repensar alguns temas. Não creio que o problema seja ideológico, é cultural e político-administrativo. Práticas clientelares e benefícios não ajudam a modernização do país. Por outro lado, o próprio desenho institucional é um enorme bloqueio. No caso dos municípios não faz sentido gastarem o dinheiro com dúzias de vereadores e não terem gestores, e não faz sentido serem apenas entes da União e não se articularem na execução das políticas estaduais.

As eleições no Brasil lembram a vitória de Sócrates

por José, em 28.10.18

São contextos diferentes e propostas que nem a noite e o dia conseguem falar, mas não deixa de existir alguma semelhança entre o momento eleitoral no Brasil e a eleição em que José Sócrates foi aclamado rei. Havia um clima anti-Santana e anti-corrupção muito forte que levou as massas ao voto útil. Depois deu no que deu pelo facto de Sócrates ser um verdadeiro artista. Vamos ver no que dá no Brasil, sendo que a maior preocupação nem é política, mas com a pacificação da sociedade brasileira. A polarização dos 2 últimos anos e agora acentuda criou uma profunda divisão, tão grande que pode dar origem a conflitos abertos, mesmo entre pessoas da própria família. 

As eleições brasileiras reflectem a crise das religiões

por José, em 27.10.18

Se do ponto de vista de ideologia política as eleições brasileiras acendem o debate interno e externo, a ligação da fé e de algumas igrejas ao processo merece pelo menos menos alguma atenção. Não estou a referir-me ao contributo da chamada bancada evangélica no processo, assim como o apoio claro durante os rituais à campanha de Bolsonaro, é bom igualmente não esquecer que comunismo na América Latina não significa rejeição das crenças, aqui não é o ópio do povo. Fé e política estão profundamente ligadas. A teologia da libertação do Boff conciliava o que acontece na prática. Aliás, olhando para o Papa é bom ter presente que já foi chamado de Papa comunista. A questão é simples. O comunismo europeu, cubano e chinês estava munido de uma visão e racionalidade que aqui não acontece. Aqui a política e a religião operam sobre o mesmo problema - sobre as desigualdades e salvação pela melhoria da qualidade de vida. Inversamente, a bancada evangélica está ligada ao empresariado. Max Weber poderia voltar à terra para explicar isso, com a diferença que burocracia não é apenas institucionalização da resposta e gera fenómenos como a corrupção. Ainda sobre as religiões, como se tudo o que foi dito fosse pouco temos os casos de pedofilia na igreja católica (nas outras será igual) e profundas disputas de poder. Ou seja, num momento de tragédia civilizacional nem as religiões nos salvam, pois deixaram de ser o suporte moral e ético na vida quotidiana. Isso não impede que as pessoas não se refugiem na fé, pelo contrário, mas é uma fé individual e sem orientação. O resultado de tudo isto é imprevisível e não augura coisa boa, até pelo facto de na ponta destas questões estar a comunicação social, por vezes propriedade da igreja. Por outro lado, a alienação cívica da causa pública não favorece a liberdade. Só existe democracia com cidadania activa.

Genipabu, uma das mais bonitas praias potiguares

por José, em 26.10.18

Vamos descontrair e sonhar ou dar um saltinho a um lugar de encanto. Não tenho ido recentemente, mas esta é uma das praias do Rio Grande do Norte que mais me encanta. A formosa Genipabu. Necessita de melhorias ali na localidade, designadamente de estacionamento e melhoria das edificações, mas a praia em si é fabulosa. A imagem é da parte da linha de água, subindo a duna tem camelos para dar uma voltinha.

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Momento impróprio para cardíacos

por José, em 26.10.18

No Brasil e um pouco por todo o mundo o momento em impróprio para cardíacos. As eleições revelam não só a dinâmica interna brasileira mas a sua exposição a conjunturas outras e igualmente a sua importância. Internamente é o dia a seguir que preocupa. As pessoas podem torcer por Bolsonaro ou Haddad, pouco importa para focar no dia seguinte, o que preocupa é, por um lado, a própria aceitação de derrota de um dos candidatos e, por outro, como vão reagir alguns grupos cujo objectivo é provocar agitação, isto tanto de esquerda como de direita. A ideia de que a vitória por ser um salvo conduto para a violência ou de que vão vender cara a derrota é o principal problema. O país precisa de uma liderança forte e de uma estratégia, deixar ao Deus dará gera anarquia e redunda em violência. Espero estar enganado, todos queremos que o país se reerga e avance. Tenho amigos em ambos os lados da barricada, não me pronuncio por estar impedido constitucionalmente, mas também não tenho interesse em postas de pescada, a política no Brasil é vivida de forma intensa e cega, logo eu que detesto política partidária.

Seja qual for a decisão, o Brasil tem de mudar

por José, em 25.10.18

Não nutro nem revelo simpatias políticas, sobretudo por dar tudo no mesmo, ambos os lados procuram manipular as massas ou fazer da elite a sua ampla base de apoio social e económico. Mas seja qual for o resultado das eleições o Brasil necessita de mudar, não só nas prioridades políticas - desde que cheguei que digo que o principal problema é a insegura mas nunca ninguém me levou a sério - e na dinâmica organizativa, mas sobretudo na visão sobre o futuro. E quem precisa mudar primeiro são os brasileiros, pois uma coisa leva à outra. Dizer que se é contra a corrupção mas recorrer ao jeitinho ou que se abomina a violência mas se tem raiva do vizinho, tudo isso é cultural e necessita de mudar. Sendo que, não existem poções mágicas para isso, exite apenas uma ideia de unidade nacional e de respeito pelo próximo que são a base de tudo. Claro que a resposta institucional é fundamental e um bom impulso, mas não adianta ter boas políticas públicas se no momento, por exemplo de cobrar imposto, existem razões de ordem subjetiva que não permitem a concretização. Aqui é tudo ou nada. Tem a chamada Blitz, operação stop para soprar ao balão, em que a tolerância é zero, mas tem situações em que esse empenho não acontece. 

Estrangeiro tem direito a estar calado

por José, em 24.10.18

Emigrar não é somente estar ausente e distante dos seus, além de todo um esforço de adaptação cultural, que no Brasil é fácil, pelo menos da parte que me toca, mas também tinha muitos amigos de norte a sul. Emigrar é abdicar de alguns direitos, provavelmente não é em todos os países, mas tem outros que sim. É complicado gerir a vontade de dizer sem ter direito constitucional para o fazer. Não me interessa tomar partido, mas se estivesse de fora muito teria sobre o que me pronunciar, até pelo facto do quadro de referência ser distinto. Tenho amigos e conhecidos de ambos os lados, assim como criticas e elogios a fazer a ambos de lados, mas é o silêncio que devo aceitar, não é fácil. Tem dimensões que remetem para o processo histórico, não necessariamente a culpar os portugueses, essa foi uma interpretação enviesada de Gilberto Freyre, mas não deixam de ter culpa em alguns aspectos, talvez não se entendam é a insistência nesse argumento quando o foco seria resolver os problemas aí implicados. Existem um conjunto de articulações e sociabilidades que não são apenas actuais e resultantes do neoliberalismo. Tal como tenho dito, o desenho institucional e a lei eleitoral favorecem o que em Portugal se poderá chamar de compadrio e redes de dependência. A cunha, o jeitinho brasileiro, o clientelismo, o coronelismo, muita coisa junta. Não digo com isto que tudo é corrupção e todas as pessoas têm esse vírus, é um erro pensar assim, mas algumas iniciativas e dinâmicas locais estão expostas a essa possibilidade.

Existe vida para além da oferta para gringos

por José, em 24.10.18

Por questões de segurança e pelos roteiros vendidos nas agências de viagens e nos operadores no terreno a quase totalidade dos turistas que visitam o Rio Grande do Norte e os estados vizinhos (Paraíba, ceará, Pernambuco...) frequentam lugares que se podem encontrar aqui e praticamente em todos os lugares do mundo. O que muda aqui é o clima e a fala. A própria gastronomia é dos lugares da moda turística e não necessariamente de comida típica. Ok, no Mangai e em mais dois ou três temos alguns traços típicos, mas é tudo muito estilizado, não o original. Nem falo do(s) Camarões e do Nau, pois são invenções recentes e para um público com melhor capacidade de aquisição. Paralelamente aos restaurantes, as praias e pequenos lugares - aqui tudo é cidade mas é algumas praias ou distritos - não diferem muito de outras ofertas internacionais. Pipa é um mini Algarve, interessante obviamente, mas é bom conhecer outros lugares. Ainda tenho muito para conhecer, mas sempre que posso procuro algo diferente, não só as praias mas também as pequenas serras, que também as tem. Adorei visitar o Monte das Gameleiras, colocarei fotografia assim que tiver oportunidade.

Domingo é Dia de duplo D

por José, em 24.10.18

As sondagens revelam um ligeira aproximação entre os candidatos, porém dificilmente Bolsonaro se deixa ultrapassar. No futuro muito debate haverá sobre as estratégias de campanha, mas a maior preocupação deverá ser pacificar o país, pouco importa qual for o vencedor. Em cerca de dois anos houve muita cisão na sociedade brasileira com o medir forças em petistas e coxinhas, não vai ser fácil sarar feridas. Aí se incluem os partidos tradicionais de direita, pois também eles são derrotados. Por outro lado, os caminhos da fé e da política não vão ser os mesmos. O PT já tinha recebido apoio dos sindicatos e de movimentos como o Movimento Sem Terra, mas na hora de decidir seguiu um caminho neoliberal, veremos se aumenta o volume de vendas de biblias ou o que pode acontecer. As pessoas vivem esta semana de coração apertado, não está fácil. Domingo será o dia de duplo D, o dia para a decidir e o dia da semana.

Gostoso esse São Miguel

por José, em 23.10.18

Uma das praias e cidades com vocação turística no Rio Grande do Norte é São Miguel do Gostoso, que tem feito uma aposta interessante para captar mais turistas. Neste caso é a bela praia da Xêpa, mas são quilómetros de calmaria e encanto.

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A aridez também tem encanto

por José, em 23.10.18

O semiárido está ligado a toda uma narrativa de resistência do nordestino à seca, mas poderia ser visto como um cartão de visita, pois a aridez também tem encanto, depende da perspectiva e quem se quer convencer. Eu gosto muito e acho que tem potencial, mas para tal necessita de equipamentos, de se vender nas agências de viagens e outros elementos atractivos, sobretudo a gastronomia, pois paisagem tem de sobra. Neste cso uma imagem que parece tirada em Portugal, mas foi tirada na barragem Armando Ribeiro Gonçalves, pertinho de Mossoró, a norte do estado do Rio Grande do Norte.

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Cachaceiro com consciência de classe

por José, em 23.10.18

Recentemente, à saída do supermercado um homem alcoolizado dizia alto e bom som que era cachaceiro. Falava para as pessoas mas não vi ser inoportuno. O que chamava a atenção não era somente falar alto e dizer que era cachaceiro mas usar o facto com consciência de classe. Dizia e repetia que era cachaceiro mas não se metia em outras drogas, pois a cachaça era a única que podia pagar. No momento até dá vontade de rir, mas foi realista. Outras drogas levavam o senhor a outros caminhos e ele provavelmente só queria esquecer os problemas. A lucidez alcoólica era impressionante. Vidas difíceis

Porquê potiguar

por José, em 22.10.18

A referência a potiguar no nome do blog tem razão de ser, pois potiguar remete para os povos indigenas que habitavam o Rio Grande do Norte, estado do Nordeste cuja capital é Natal. É um estado pequeno, pobre apesar das riquezas naturais. Pipa é a praia mais conhecida, talvez mais que Ponta Negra e o seu Morro do Careca em plena cidade de Natal. Mas tem muita praia bonita. Adoro Genipabu, que fica a norte de Natal no município de Extremoz (este [e com Z, tem também São Gonçalo do Amarante, a lembrar o mosteiro com o mesmo nome em Amarante). São Miguel do Gostoso é um dos novos destinos e muito interessante. Galinhos lembra Tróia, com a sua língua de areia. Muito bom o passeio de carroça. Tem muitos outros exemplos, incluindo em Natal. O estado é pobre por querer, pois tem sal, petróleo, é o maior produtor de energia eólica do Brasil, tem exploração de pedra e minério, tem o famoso queijo de coalho. Adoro o sertão, principalmente a região do Seridó. A seca poderia ser um produto turístico, apesar do impacto nas comunidades deixa uma paisagem de caatinga muito linda.

O abraço é melhor instituição brasileira

por José, em 22.10.18

Agradeço aos Blogs Sapo terem destacado uma das minhas reflexões, não que procure visibilidade, mas é sempre bom chegar a mais pessoas. São pequenas reflexões em jeito de relato do dia-a-dia de quem está longe dos seus mas de momento toma o Brasil como o lugar para ser feliz. Parece loucura essa afirmação, mas tem muita coisa boa por aqui. Sem que a insegurança é aquela coisa filhada da puta, nunca se sabe o que pode acontecer e impede que se vá onde se quiser nas horas a que se quiser. Já falei de várias coisas boas, mas tem aquela que para mim é a sua melhorinstituição. Falo do abraço. Os portugueses dizem abraço quando se despedem mas o que é verdade é que até do aperto de mão sentem desconforto. Brasileiro é vaidoso e odeia suor, mas um abraço por vezes ignora tudo isso, pois é verdadeiro, venha de onde vier, por vezes de alguém que se acabou de conhecer, seja homem ou mulher. Depende obviamente dos contextos, em situações formais não é tanto assim, pelo menos quando as pessoas acabam de se conhecer, mas pode acontecer no final. Imagem uma reunião formal com uma abraço na despedida, é assim que acontece muitas vezes. É bom de mais.

Nem esquerda nem direita

por José, em 22.10.18

Nem o problema, nem a solução são de esquerda ou de direita. Entre os principais problemas do Brasil não está apenas a insegurança, as desigualdades e a corrupção. O país está muito exposto aos mercados internacionais e internamente sem uma profunda reforma político-administrativa dificilmente as políticas alcançam o sucesso desejado. É muito centralista e tem na sua base alguns cargos políticos que dariam para pagar a um bom número de gestores.

Até parece que Portugal é perfeito e o Brasil ruim

por José, em 21.10.18

Ainda que o momento que o Brasil atravessa acabe por influenciar na quantidade e forma de abordar os aspectos negativos relembro que é um país maravilhoso, com gente maravilhosa. O que a comunicação exalta são segmentos, infelizmente em crescimento, mas não fazem a norma. De qualquer modo evito comparações entre mais e menos, Portugal é pequeno, mas tem uma enorme diversidade e história. O Brasil é um mundo. Gosto muito desta já quase pertença aos dois lados, sem abdicar do meu país. Não te trata de disputar o bom e o mau, mas de assinalar diferenças. Tem semelhanças lindas. No Nordeste tem muito ditado popular, parece que estou em Portugal, a cultura portuguesa permanece com a sua matriz popular. O mesmo acontece na influência na literatura de cordel, que apesar da raíz portuguesa é muito diferente da nossa poesia popular, não sou especialista no tema mas talvez se aproxime mais das cantigas de amigo, escárnio e mal dizer, aqui numa versão centrada na vida regional, nos heróis e lugares. Sabemos que em Portugal tem muita coisa ruim. Não falo em corrupção pois aqui é o prato do dia, mas tem mamarrachos, promessas políticas, um deixa para lá por parte das pessoas, que vivem no seu casulo. Não faltam exemplos, mas como digo cada país tem a sua forma de estar. Quando tiver tempo partilho um pouco mais de praias, paisagens sertanejas e património construído. É uma questão de organizar as imagens que tenho e fazer novas viagens.

Irritantes 10%

por José, em 21.10.18

No que toca a saídas tem dois aspectos culturalmente ruins. Um deles é o facto de algumas mulheres acharem à partida que o homem deve pagar qualquer conta quando convida para sair. Felizmente a nova classe média não segue essa tradição, que tem a ver com a falta de autonomia da mulher e outras coisas que foram adaptadas do passado. Somos logo rotulados de forretas e sovinas, mas não se trata disso. Pode um ou outro no final pagar a conta, mas partir dessa certeza não creio que seja bom no reforço do papel da mulher. Outro aspecto ruim, mas cujo princípio até é bom, é na hora de pagar a conta cobrarem 10% pelo serviço, dinheiro que supostamente vai para os empregados. O problema é que nada garante que é assim e por vezes os preços já são caros o suficiente para retirar esse pagamento. Mais ainda, é melhor dar gorjeta que pagar os 10%. A gorjeta é para quem nos atendeu, nada sabemos sobre os outros empregados. Ainda tem por vezes o pagamento do couvert, que no caso não são as entradas, mas o pagamento aos músicos caso os tenha. A modalidade deveria ser outra, dependendo de cada caso, evitaria chatices e perda de clientes.

Os brasileiros são...

por José, em 20.10.18

O estereótipo é uma coisa filha da puta, que geralmente alimenta equívocos e perpetua leituras distorcidas de determinado fenómeno. Em Portugal é muito típico alguém dizer "os brasileiros são isto ou aquilo". O contrário também acontece, a diferença é que Portugal é do tamanho de Pernambuco e tem menos população que São Paulo. Para elucidar sugiro muitas vezes que a pessoa faça um exercício. Pergunto, está a imaginar a distância de Lisboa a Moscovo? Pois, essa será por alto a distância de norte ao Sul do Brasil. É muito território e muita diversidade. A nossa imagem é a do Rio de Janeiro e da cultura de novela. Tem muita coisa ruim, mas também muita coisa boa. É conveniente conhecer um pouco antes das tais postas de pescada.

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