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Crónica potiguar

Crónica potiguar

Esse bar é XXY

Janeiro 31, 2019

José

Combino fazer uma coisas com pessoas amigas e decidimos ir a um bar onde outras pessoas conhecidas tinham uma performance poética, se assim lhe posso chamar. É pertinho e um dos bares mais interessantes da cidade. Embora perto não é um local onde se possa ir a pé, muito menos à noite. Pedi um uber e lá fui. O motorista não sabia bem onde era mas lá fui indicando ao senhor. Mal chegou perguntou se aquele não era o bar xxy? Não entendi o que disse mas ficou claro que perguntou se era bar de gays. É um bar com intervenções culturais e atrai quem quer ir, mas esse povo é muito preconceituoso. É verdade que a cidade tem muitos gays, não me perguntem o motivo. Talvez por ser a capital do estado confira alguma segurança, o que atrai para quem quer ter alguma paz. Desconheço outras explicações. Mas apesar de ser a capital tem traços menos urbanos e esse preconceito é revelador. A mim pouco me importa quem vai. É para toda a gente.

Telefones bloqueados por zona ou maldito proteccionismo

Janeiro 29, 2019

José

Ao mudar de quadrante ou de horizontes dei comigo com um telemóvel de uma gama razoável mas que por razões que só eles sabem não posso usar com cartões não europeus. Estou a tentar resolver directamente com a representante em Portugal, pois aqui estava difícil. Fui na operadora e na terceira tentativa um funcionário deu conta do bloqueio, mas não sabia como fazer. Fui numa loja da empresa de telefones e o funcionário até foi prestável, mas pensava que o bloqueio se devia à nova lei, que bloqueia telefones piratas, no que deveria contactar a entidade reguladora para resolver a chatice. Ao chegar a casa não fiquei parado e procurei informação adicional. Descobri que não é coisa nova, mas para quem chega de viagem a Lisboa e está a necessitar de um telefone nem repare em tais pormenores. E cá entre nós isso não passa pela cabeça de ninguém. Um dos funcionários ainda se desculpa que são tecnologias diferentes bla bla. Isso para mim é balelas. Vivemos na era das comunicações globais em que, felizmente, existe uma tendência para uniformizar os equipamentos, como pode ser verdade? Excepto a empresa da maçã gosta de ser diferente. Adoro maçãs mas detesto o princípio da elite que paga caro por um aparelho que agora pode até ser de qualquer outra marca. Como se diz por cá: lasquei-me! Veremos a resposta à solicitação no sentido do dito cujo ser desbloqueado para usar com um cartão SIM cá do burgo, pois o número português deixo ficar em casa, pelo que qualquer ferro velho que funcione serve.

Pesar por Brumadinho

Janeiro 27, 2019

José

É triste ver tamanha destruição e morte em Brumadinho, repetindo Mariana, a maior catástrofe ambiental da América Latina mas que se ficou como que invisível, pois as primeiras imagens foram sempre relativizadas e as consequências do ponto de vista criminal nenhumas. Em Brumadinho tudo se repete com pequenas variações. O drama de muitas famílias desfeitas é como que omitido. Multiplicam-se as imagens heróicas do salvamento de animais, sobretudo cachorros, mas em área de destruição social e natural os elementos humanos quase não participam das representações das várias mídias. Por outro lado, o que aumenta a tristeza, é a onda de politização do processo. Não é o momento para disputas políticas, a questão ambiental tem sido negligenciada por todas as cores políticas, que se fazem permeáveis aos interesses de grandes corporações. A expectativa é de que as dezenas de mortos e a destruição não seja, mais uma vez, em vão, que do ponto de vista das políticas públicas e de todos nós se mude. Não vamos esperar tudo das políticas, somos cidadãos e consumidores, em qualquer desses papéis podemos ser mais fortes que as bolsas de valores e que os tribunais. É necessário mudança, mas agora é o momento de procurar as vítimas para que sejam sepultadas com dignidade e é também o momento de acompanhar as famílias no apoio emocional e material de que necessitem. Quem descansem em paz e se apoiem as famílias.

Mete deputado, tira deputado

Janeiro 25, 2019

José

Nem tudo no Brasil é como as histórias que se contam, mesmo as contadas por alguns brasileiros, cuja auto-estima e negação do país é algo impressionante. Possuem algumas coisas muito interessantes, ainda que com o tal do jeitinho seja possível que algo positivo acabe por ser usado em proveito de cada um. Um desses casos é o fenómeno a que chamo mete deputado, tira deputado (pode ser vereador e outros lugares que impliquem eleição. A lei eleitoral é confusa e permissiva a fraude, mas isso não significa que a prestação de contas de cada candidato não seja algo positivo, pelo menos na perspectiva da separação de poderes. Sabemos que em Portugal os partidos acabam todos por transgredir no que toca a contas e financiamento. Mas no caso das campanhas, ainda que possa até ser pior que por aqui, a prestação de contas não pode levantar qualquer dúvida, caso contrário o vencedor acaba vencido e perde o mandato para o qual tenha sido eleito. O problema é que no Brasil é 8 ou 80. Lembra as blitz (operações stop da polícia por causa do álcool), nelas o rigor é fundamental, mas outras coisas, como um carro a cair aos pedaços, não existe qualquer rigor.

Cargos comissionados ou jobs for the boys and girls

Janeiro 23, 2019

José

A política e a falta de empregos que confiram reconhecimento público através do mérito acabam em todo tipo de jeitinhos e aspirações. Alguém me dizia que espera um cargo comissionado em resultado da articulação do novo governo estadual e distribuição de votos pelos novos deputados e senadores. Entretanto, fiquei a conhecer um caso em que se concretizou. Por um lado fiquei feliz, pois desejo bem à pessoa, por outro lado, a minha alma ficou parva, pois alguém sofrível e sem experiência obtém um cargo de coordenação. Com os jobs for the boys and girls não é diferente, talvez estes estejam ligeiramente mais preparados para a discussão política, mas como diz o povo é tudo farinha do mesmo saco. As nomeações são normais quando perante mudança de ciclo político, mas nomear pessoas só por possuirem o cartão do partido é o primeiro passo para se cair na falta de transparência e dificultar a eficácia e eficiência das políticas públicas.

Perdemos a arte de imaginar

Janeiro 21, 2019

José

Estamos a ficar sem sonhos e imaginação. Conhecemos vários lugares ou países mas isso não expande necessariamente o conhecimento nem desperta a imaginação. Poderia culpar a televisão e os formatos padronizados, mas também é verdade que deixamos em muitos casos de ler e sobretudo de contar e ouvir histórias. Repetimos as que sabemos mas em muitos casos não adicionamos novas narrativas. Por isso e muito mais adoro as aldeias e as histórias dos mais velhos. Tenho tanto para ouvir que o que vivi não chega a ser o prefácio. Ainda por cima nas coincidências e nos mistérios de histórias de outros continentes, que no caso partiram de uma matriz lusa idêntica mas derivaram, como um rio que vê a água repartida para se voltar a encontrar. Gosto das primeiras versões, mas sei escutar e me encantar todas as vezes como a primeira. Não é tanto pelo mistério, é pelo brilho do olhar de quem conta e da magia que transmite.

Números de telefone papa reformas

Janeiro 21, 2019

José

Podemos dizer que somos felizes com pouco ou então interpretar como sendo pouco ambiciosos. Não sei se são as televisões e jornais que fazem os públicos se vice-versa, acredito que aconteçam ambas as situações. Se não é a TVI e outras com os números de valor acrescentado, o que chamo de números papa reformas, é a tendência para se dar atenção apenas ao futebol e política, sem esquecer a vida alheia, são os temas preferidos de todos nós. Acrescentaria religião, mas até essa parece ter dificuldades em resistir. Somos um país tão pequeno mas com várias televisões e jornais sobre a bola, nem é sobre desporto. Se a mesma atenção for dada aos problemas da nossa rua vamos ter especialistas em cada rua e assim um país melhor. A TV é pior ainda, pois à laia de oferecer prémios chorudos vai sacando o pouco dinheiro aos mais pobres, é uma verdadeira papa reformas sem necessidade de circular na via pública.

Li o meu primeiro livro a sério com 11 anos

Janeiro 19, 2019

José

Nasci numa pequena aldeia do centro de Portugal, onde na altura somente cinco famílias tinham carro, televisão e telefone. Já havia energia eléctrica na rua e lá em casa. O esgoto e água na torneira veio apenas depois da adesão do país à União Europeia, foi preciso esperar alguns anos, aconteceu somente em meados da década de 90. Sempre tivemos rádio em casa, um velho Telefunken usado oferecido por um tio. Não se liam jornais, apenas velhos jornais usados na mercearia local e que por vezes eram usados como papel de embrulho. Quando me chegava um deles à mão devorava cada notícia, mesmo que tivessem meio dúzia de meses ou anos. Já se liam pequenos livros ilustrados, não necessariamente da Disney, mas outros que circulavam entre as crianças. Também não eram pornográficos. Geralmente eram livros de heróis de guerra ou de qualquer outra coisa. Lá em casa não comprava mas li vários. O meu primeiro livro a sério li com 10/11 anos, quando fui estudar para o antigo ciclo preparatório e a professora tinha um pequeno clube de leitura cujos primeiros livros eram pagos por ela e depois cada aluno dava tipo cinco tostões mensais para ir abatendo na despesa e para comprar mais livros. No final os livros foram sorteados pelos alunos. Não me calhou o meu primeiro livro que li mas o segundo, no caso A Floresta, de Sophia de Mello Breyner Andresen. O primeiro foi um livro muito avançado para a idade e que ainda hoje faz sentido reler. Refiro-me ao livro O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry. Actualmente leio imenso mas não necessariamente romances, mas tenho pena, a leitura científica é boa mas não liberta necessariamente a imaginação.

A televisão que nós queremos

Janeiro 17, 2019

José

Não é só o modelo Goucha e Cristina Ferreira que estão a puxar a qualidade dos programas televisivos para baixo, nem o problema é apenas português. Na verdade ainda bem que existem Cristinas Ferreira no referente à originalidade (relativa) dos programas, pois a maioria são produções replicadas em vários países. Lembro que o lixo populista também está na RTP, com destaque para O Preço Certo, que apesar de divertir explora o baixo capital social de um segmento da sociedade portuguesa, geralmente mais idosa, numerosa e pouca dada a programas ditos mais sérios. É bom ter presente a ideia da cultura cultivada, ou seja, que os públicos também se fazem e que a televisão tem aí um papel importante. Mas quando pensamos que esses programas são o fim de linha eis que as televisões se transformam em agência de encontros casuais, susbstituindo aplicações da internet e expondo as pessoas até ao limite da sua privacidade. O Big Brother tinha aberto a porta, agora vem a filhadarada. Podemos sempre optar e desligar, o problema é que esse formato já agarrou no seu histórico o chamado grande público. Não sei que públicos estamos a fazer, sei que não podemos criticar políticos, e vizinhos e seja quem for, quando abdicamos de ser cidadãos atentos e em busca de conhecimento. A ideia de "embrutecer" os públicos só se reverte com esses públicos fartos da actual oferta, o que parece longe de ser verdade, pois com tanta diversificação desses formatos e quase ausência de outras ofertas fica difícil. As televisões em canal aberto deveriam ter limites nesta oferta.

Partir custa

Janeiro 15, 2019

José

Ainda restam alguns dias mas pensar na partida custa. Gostaria de regressar mais vezes e ficar menos tempo, pois com a vida em vários lados o coração também fica, mas partir dos nossos tem sempre associada uma emoção muito forte, pelo sentimento, pela distância, pela idade, por tudo. A vida não se faz somente de idas e voltas, tem desafios e necessidades, em face disso o único remédio é respirar fundo e manter o foco. É certo que quando estamos longe damos mais importância aos afectos e igualmente ao país e à terra, não creio ser muito diferente apesar de sempre estar relativamente próximo e ativo. A vida segue e muito do significado e força vem da saudade e da alegria que gostaríamos de proporcionar a quem nos quer bem mesmo que muitas vezes não imaginem a nossa luta.

O importante é o amor

Janeiro 14, 2019

José

Aprendi a amar tardiamente e mais tardiamente aprendi a tornar público o amor. Os homens têm uma espécie de código que os reprime de apresentarem o que sentem e por quem sentem. Muita coisa mudou, mas muita coisa se mantém e não é apenas em Portugal. Lembro a primeira vez que apareci em Natal de mão dada com uma namorada, um amigo ainda me gozou por isso. É certamente para o lado que durmo melhor, mas achei um abusivo. Não sei se sou poliamor ou se o amor está de momento a hibernar para mim ou eu para ele, sei que reconheço que o importante é o amor, mas não é por isso que o deixo entrar e exprimo. Sinto falta de ficar acordado a pensar em quem gosto e vou encontrar depois. De ficar horas ao telefone ou apenas de sentir saudades. É certo que isso não impede de gostar e querer bem, mas falta a chama e o brilho nos olhos. Já vivi tudo isso pelo que posso imaginar, ainda que não tenha nenhum amor igual. E amor não é sinónimo de estar com alguém. Já amei, fechei os olhos a quem dizia amar, abri os olhos quando deixei de ser amado. Acredito que o melhor amor está para vir, não necessariamente por maturidade mas pela possibilidade do imaginário ser real. Anda aí a loucura com o amor artificial dos programas de TV. Quem sabe fazia sucesso com um blogue do amor. 

Saudosismo ideológico

Janeiro 14, 2019

José

Tenho muitos amigos e conhecidos portugueses que acham que no tempo do outro sr, o sr. Oliveira, é que o país estava forte e desenvolvido. A mim pouco importa se o elogio é à direita ou se é à esquerda, o que me interessa é o olhar sectário e com pretensas provas. Quem vivia bem no Estado Novo e perdeu honrarias é natural que defenda o regresso ao passado, mas quem teve várias oportunidades na vida não sabe do que fala. O Sr. Oliveira era bom em contas e não roubava? Acredito que sim. Mas tal não significa que não havia corrupção, não era permitido que tivesse visibilidade, mas obviamente que existia. Sem esquecer que saúde, educação e tudo mais, não eram direitos de todos e não creio que se possa dizer que a política é transparente quando fica refém de alguns grupos. O saudosismo do império motiva parte da simpatia. Um império mantido à custa de vidas humanas e numa terra que nunca foi nossa. Em Portugal os homens que não iam para a tropa ou dela fugiam eram obrigados a dar o salto, já as mulheres eram vassalas dos maridos. Confunde-se dominação com estabilidade e a paz social resultante , assim como as contas em dia, com desenvolvimento. Claro que nem tudo corre bem em democracia, sobretudo pelo facto de criar cidadãos acomodados, mas isso é em grande parte uma responsabilidade nossa. O paternalismo do Estado Novo não desapareceu, sendo que com ele continuamos a atirar a culpa para o outro e a esperar nas diversas escalas seja nosso funcionário. Na verdade é, mas temos de ser nós a participar na definição das competências e avaliação do desempenho. O abandono e trafulhice de alguns políticos acontece à nossa frente e até achamos que agem mal, mas não faríamos diferente. Isso não depende da ideologia mas de valores e práticas enraizadas. Quem usa as referências ao passado olha para o passado como alternativa, mas as alternativas são construídas hoje, na resposta aos problemas de hoje. Não existem receitas mágicas, nem ilusionistas que não recorram a truques.

A maior ameaça do capitalismo é comunista

Janeiro 11, 2019

José

Uso as categorias capitalismo e conunismo mas sei de antemão que o comunismo foi uma ideologia que se finou com a queda do muro de Berlim e o que agora se reivindica e classifica como comunismo é por mera oposição à leitura de direita. Muito haveria a dizer sobre comunismo ou socialismo e o que Boaventura de Sousa Santos chama de epistemologias do Sul. Poderíamos ainda acrescentar a teologia da libertação de Boff. Temos aí como que uma modalidade de comunismo sem revolução cultural, ao ponto de política e religião se misturarem. E isso acontece com a esquerda e com a direita. Não vejo aí qualquer comunismo, são grupos de interesse. Obviamente temos uma diferença substancial. O problema das desigualdades não está, em regra, na agenda da direita. Não era esse o debate principal que queria trazer, mas sim o da transformação da China em grande potência industrial e económica. Quem se lembra da década de 2000 sabe que se assistiu à consolidação de dois fenómenos: 1. A China incentivou empresas e Universidades a literalmente copiarem os melhores protótipos, o que permitiu liderar a inovação sobretudo em novas tecnologias e obviamente na formação de recursos humanos. 2. Ligado a isso, empresas europeias, americanas e de tudo quanto é lugar, para baixarem os custos de produção, fechando os olhos aos direitos humanos, deslocalizaram a produção para a China. Sendo que o que parecia maravilhoso leve esses países a cuspirem sangue. Em primeiro lugar, gerou-se desemprego, em seguida estamos totalmente dependentes da China. Ainda esta semana foi anunciado o encerramento de uma fábrica pois os chineses fabricam mais barato, e isso acontece em várias geografias. Ou seja, estamos lascados e não podemos culpar a China de nada, pois o país preparou-se para a competitividade. Não devemos esquecer igualmente o investimento que fez em lançar os seus filhos na economia dos países. Ficámos de braços cruzados pois vendiam barato mas maus produtos, quando na verdade faziam o caminho para o aperfeiçoamento. 

Alô! Sr. Presidente?

Janeiro 10, 2019

José

Estamos a ver mal ou apenas um dos aspectos da chamada telefónica do Sr. Presidente à Cristina Ferreira. A jornalista da RTP Alberta Marques Fernandes rapidamente deu voz à vontade de também receber um telefonema presidencial. Talvez tenha exagerado com o comentário e deva merecer discussão na perspectiva da deontologia profissional, o que é certo é que a ideia proliferou nas redes sociais e toda a gente está em pulgas para falar com Marcelo Rebelo de Sousa. Honestamente acho que isso pouco importa. Tem tanto português a necessitar de uma palavra amiga que isso são pormenores de pré campanha eleitoral. Com 3 anos a morar no estrangeiro a única coisa que Portugal espera de mim é que pague qualquer tipo de despesa, não digo impostos pois não trabalho no país. De resto nem sei. Nunca fui ao consulado, pois até ao momento não foi necessário. Uma vez enviei um email para a representação do consulado lá na cidade mas nunca tive resposta e depois tratei as coisas em Portugal. Dou o meu exemplo de quase exilado mas no país as coisas são idênticas. A minha preocupação com o telefonema não é essa mas sim o facto da mais alta figura do estado estar a dar o seu aval ao que mais decadente temos como programas televisivos, ainda por cima de uma TV privada. Gostaria de ver o nome do nosso Presidente a dar a 'bênção' a programas de qualidade, que honrem a língua e a cultura portuguesa, não a conteúdos empacotados e num modelo que se vê no mundo inteiro.

O problema não está no ordenado dos políticos

Janeiro 09, 2019

José

É comum ver nas redes sociais palavras de ordem que se posicionam a favor dos políticos receberem o ordenado mínimo. As pessoas têm todo o direito a posicionar-se, mas pela minha parte sou contra, acho mesmo um disparate. Na verdade os políticos deveriam receber mais, mas exigindo exclusividade e com avaliação regular das propostas inicialmente submetidas, de modo a se confirmar se cumprem as pormessas e acompanhar possíveis desvios de programa e de custos. O problema dos políticos não é o ordenado, mas sim o facto de agirem por vezes enm interesse próprio ou de comparsas e de assumirem cargos para os quais não estão preparados e dos quais não prestam qualquer tipo de contas públicas, traduzindo aqui por contas não apenas a questão financeira mas toda a política. O que se tem visto é exactamente o contrário. Na última remodelação vimos entrar secretários de estado só por pertencerem ao aparelho partidário, o que não é novidade e nada tem a ver com cores políticas. Antes disso, as famosas parceiras púlico-privadas das auto-estradas e hospitais foram altamente danosas quanto aos gastos públicos. Isto só para citar exemplos mais gerais, uma análise mais rigorosa a cada ministério, mas também a cada câmara municipal e junta de freguesia daria muitos casos para analisar. Adoro as obras municipais em final de mandato, sobretudo estátuas e o esfaltar de ruas, geralmente estas obras são para aliciar ao voto de alguns grupos descontentes. Coisas maravilhosas. Por tudo isso, defendo não pagar o ordenado minimo, pagar mais, mas cobrar dos políticos o trabalho que não fazem e o dinheiro que gastam. Como fazer? Existem órgãos na administração pública com competência para tal e nós como cidadãos não deveremos ficar de braços curzados, o povo bem diz que quem cala consente. Depois não adiante os coletes amarelos, importa durante a implementação das políticas fazer o acompanhamento.

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