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Crónica potiguar

Os dias da chuva

por José, em 29.03.19

Enquanto Portugal está à míngua, atravessando um período de seca que terá fortes repercussões nos incêndios, na agricultura e abastecimento de água, por estas bandas é o momento das chuvas, geralmente torrenciais, em que tanto pode chover 10 minutos e alagar tudo como ficar meio dia a chover. Hoje por acaso é tocada a vento, mas normalmente não tem vento e cai literalmente a pique. A coisa boa é que é uma chuva para andar de chinelo, pois está sempre calor. No meu caso e por ser momento de trabalhar não estou de chinelos, mas não seria o primeiro. Ontem desde o início da manhã que as nuvens andavam a querer largar água mas somente à noite choveu. Existe uma tendência para chover mais no fim da tarde ou mesmo pela noite. Provavelmente tem a ver com alguma relação com a temperatura, até pelo facto de um dos problemas aqui serem a(s) ilha(s) de calor. É uma suposição mas não é uma área sobre a qual tenha conhecimento acrescido. Durante o dia tem esses períodos de grandes chuvas, agravados por falta de um sistema de drenagem das águas pluviais na cidade, mas minutos depois pode estar sol e "a vida volta ao normal". Na verdade a chuva é a normalidade de Março a Maio e este ano já deu para recuperar algumas faltas. Apesar disso, no interior do estado pelo menos três barragens estão sem um pingo de água. Ou por erro de plano, que não terá feito o levantamento da periodicidade das chuvas, ou por outro motivo, essa região tem desde 2012 as barragens sem água. As principais barragens para abastecimento e agricultura irrigada agradecem toda esta chuva. Como já referi em narrativas anteriores, o litoral é verdejante, pois é bioma da mata atlântica, o interior é caatinga e por isso seco e com solo árido. De qualquer forma, os territórios sertanejos são como um chamamento, além de elementos culturais é a própria secura da paisagem que nos aproxima, sem esquecer a rica diversidade ecológica do bioma.

Prioridade para Barnabé

por José, em 28.03.19

Barnabé é uma metáfora que tanto representa pessoas como animais. Sobretudo animais domésticos, dado o ímpeto organizativo dos movimentos de defesa. O cenário é a tragédia de Moçambique e a dificuldade para sairem as primeiras ajudas. Era bom ser feita uma avaliação do processo, o que falhou e quem respondeu primeiro e como. A tendência é para este tipo de catástrofes se repetir e o momento seguinte é esse de avaliar e preparar a resposta. Tem uma componente de diagnóstico mas não devemos esquecer a avaliação. O Barnabé mostra que tem movimentos com resposta pronta ou pelo menos com grande capacidade de mobilização. Em Portugal os movimentos de defesa animal são assim, gostando ou não deles. Assim já foi a Igreja e o partido comunista mantém alguns traços. O problema do Barnabé é que esses movimentos não têm uma visão abrangente dos problemas. Por exemplo, o PAN é tudo menos partido da natureza, pois não tem uma visão ecossistémica dos problemas, pode estar a defender os animais e a gerar outros problemas. Existe um problema idêntico com os canis. Fez a lei para os animais não serem mortos mas faltou a pressão local. O desafio em Moçambique é ainda outro. Como articular a resposta numa política pública que integre estado, sociedade civil e empresas em diversas escalas, incluindo a ajuda internacional. A comunicação social é importante, mas evitando manipulação. Veja-se o caso dos 40 heróis que guardaram 26 mil crocodilos. O dono é um tipo com influência e perder os crocodilos seria uma dupla tragédia, pelas mortes e perda de empregos. Tem muita coisa em jogo, ninguém pode seguir indiferente.

Sempre complicados os serviços consulares

por José, em 28.03.19

Precisei ir na Polícia Federal, que neste caso tem uma actuação semelhante ao SEF, e acabo a escutar a conversa de uma senhora que estava a ser atendida. Na verdade parecia atendimento especial do chefe, ou pela complexidade do processo ou outro motivo. Pelo que entendi a senhora tem dupla nacionalidade mas tem uns problemas a resolver com questões familiares, sendo que pouco importa o tipo de questão, mas sim o comentário geral, segundo o qual em Portugal é tudo complicado e os portugueses são complicados. É uma generalização em face do arrastamento do processo pessoal e de variáveis pessoais, mas o foco principal está na burocracia dos serviços consulares. É de facto muito complexa entre dois países ditos irmãos mas que em nada beneficiam desse facto. Não pense a senhora que o problema está somente em Portugal, só eu sei que te tenho passado com isso. O Brasil tem mais burocracia que Portugal, mas nestes casos devem andar a competir entre quem empata mais os processos. As pessoas que nos atendem são da maior simpatia e fazem o que está ao seu alcance, mas são as rotinas e as formalidades. Em questões de visto por alguns meses o melhor é as pessoas irem ao país do lado para carimbarem nova entrada, pois tratar do visto e esperar é uma coisa do outro mundo. O problema no caso português é que ir ali ao lado não pode ser a um país da União Europeia, é necessário sair do espaço Schengen.

Crescemos juntos

por José, em 27.03.19

Tem muito elemento no Nordeste brasileiro que me lembra a infância e adolescência. Desde logo os ditados populares, dizem que o cordel tem origem na poesia popular portuguesa mas acredito mais que tenha origem nas cantigas de amigo da Idade Média, observando aqui uma matriz popular e uma expressão que junta poesia escrita e poesia dita ou cantada, pois muito cordel era de imediato transformado em música, que através das palavras conta uma história. Outras semelhanças, observando as devidas distâncias quanto ao uso de materiais e condições do clima, dizem respeito às habitações e condições de vida das comunidades tradicionais. A imagem é de um espaço museológico, mas existem muitas comunidades a viver nestas condições, já atravessei alguns territórios com aldeias inteiras (aqui chamam distrito) com estas casas. Casas de taipa, sem luz, por vezes sem água e quanto a esgoto sabemos que era defecar a céu aberto. Nem quero imaginar insectos e répteis e outros animais.

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Assim não Brasil

por José, em 27.03.19

Não comento a componente política respeitante à abertura da presidência brasileira relativamente às comemorações do golpe militar de 1964, mas não deixo de alertar para o facto de trazer a possibilidade de acentuar divergências na sociedade brasileira. Pouco impora quem tem razão, mas quando um assunto está arrumado o melhor é não mexer. Se o objectivo é consolidar a base de apoio o rumo não é o certo, pois vai gerar extremismos. Tenho algum receio da proliferação de conflitos nesse dia, pois um e outro lado vão querer mostrar a sua força. O país precisa de uma proposta de desenvolvimento e de paz, assim fica difícil. É pena que não se levante nenehuma voz que queira mediar tanto atrito. Já o digo desde 2017. A Igreja tomou partido, os movimentos sociais todos têm partido, assim fica complicado. O melhor é o povo ir à praia ou ficar em casa a beber umas cervejas e comer um churrasco e não dar atenção a tais coisas.

Portugal é um país de turistas

por José, em 26.03.19

Somos um país com muitos atractivos e por isso bafejado pela vinda de turistas. Em 2018 recebemos 12,76 milhões de turistas. Parece pouco mas é mais do que o total da população e mais do dobro do Brasil. Pois é, também pensei que a cultura, natureza e imensidão do Brasil levava a este país muitos turistas mas os dados não dizem isso. Novamente a insegurança mas não é o único motivo. A distância da Europa, o custo das viagens e a oferta concentrada em sol e praia não ajudam. O turismo português deu um grande salto. Faz boa promoção no exterior, tem na gastronomia, vinho, cultura e património motivos acrescidos. Depois é a proximidade de países com turistas frequentes. O facto de ser como que um exótico na Europa atrai. Na altura da troika dizia que o país nunca teve tanta publicidade negativa mas com efeitos positivos. Ao estar na mira da troika gerou curiosidade e virou moda para visitar. Foram muitos factores. O desafio é manter a galinha dos ovos de ouro.

Domingo caseiro

por José, em 24.03.19

Ainda este ano não tive o que se chamam dias de repouso, pois os poucos momentos não dão para recuperar o acumulado de cansaço e sempre com algo para fazer. As minhas semanas são sempre muito intensas, este semestre mais ainda pois também dou aulas à noite em alguns dias. Em 2018 compensava com algumas saídas no fim de semana, coisa que ainda não consegui fazer. Sai este semana e em breve vou repetir, mas em trabalho, mesmo assim é bom ir a outros lugares e contactar outras realidades. Hoje nem ao café fui, tinha coisas para ler, etc., etc., que acabei por ficar por casa, o máximo que fui foi à varanda. Por vezes também é bom para recuperar forças. Geralmente programamos fazer muita coisa e acabamos por fazer pouco, mas o corpo agradece.

É conforto ou amor

por José, em 23.03.19

Ainda que assim fique para tio, nunca me dei bem com a ideia de viver uma relação por ser mais confortável do que estar só e certamente socialmente mais aprazível. No Brasil mais ainda, pois no quadro cultural não é fácil entender como um homem da minha idade está só e não ter filhos. Não que tenha sorte com o sentimento, mas nunca me encostei em qualquer relação por ser mais fácil a vida dessa forma. Posso ser eu a estar errado, mas é a minha opção e poderei até vir a ter outras. As pessoas têm muita pressa em assumir ou mesmo formalizar sem se questionarem se o sentimento dá para uma vida. Digo isto e sei que essa do casamento para a vida inteira não é bem assim. Já passei por tudo isso, sem arrependimentos ou cobranças. Viver é uma aprendizagem, partilhar a vida é uma aprendizagem maior, precisamos ter vontade e estar preparados, mas sem exagero. Gosto de ver os casais do tempo da adolescência, acredito que sejam felizes, só não sei se é pela cumplicidade ou se é pelo fechamento em relação ao mundo.

As mulheres "machistas"

por José, em 23.03.19

É desprezível qualquer forma de machismo que tenha como mote colocar a mulher num plano inferior ao do homem, desde a dvisão das actividades domésticas até qualquer tipo de violência. É algo sem justificação e a merecer ser trabalhada no sentido de uma aproximação no referente aos papéis. a violência essa merece ser fortemente criminalizada, ainda que esse seja o final de linha, a questão deve ser tratada a montante em tudo o que a possa influenciar. Infelizmente esse é só um ponto da questão, certamente o mais grave no referente a perda de vidas humanas, mas tem outro ponto importante. Tem mulheres tão ou mais machistas que os homens. Machistas não pelo facto de apoiarem tradicionalmente o papel dos homens, o que acontece muito, mas neste caso sobretudo por assumirem uma posição idêntica aos homens. Não me atrevo a chamar feministas pois feminismo não é isso. Refiro-me a mulheres que manipulam e rebaixam os homens. Não se pense que isso é passageiro, pois ocorre muitas vezes e é ruim para ambas as partes e para todos nós, não é o modelo de sociedade que deva aceitar. 

No rescaldo do Dia Mundial da Água

por José, em 23.03.19

Ontem não consegui deixar um testemunho no blog sobre o Dia Mundial da Água, mas não deixei de o fazer em outros contextos, pois é um tema que me preocupa e me instiga a saber mais. No rescaldo escuto e leio coisas que me deixam muito preocupado. Tem pseudo-especialistas a dizer barbaridades, a maior das quais que a água é um recurso infinito, que se temos um copo cheio o copo continuará sempre cheio. Essa era a visão até à década de 1960, que foi alterada para uma mais realista segunda a qual a água não é mais um recurso finito, é um recurso infinito. O facto de existir globalmente abundância acaba por deturpar a nossa leitura. O uso intensivo e as intervenções no território, sem sem criar água, pois retiramos as árvores, e a água perdida nos vários processos estão entre os factores que reduzem o volume de água no chamado ciclo da água. Mais ainda, com a temperatura aumenta e aumenta a evapotranspiração mais água sai desse ciclo e que não volta a ser recuperada. Parece complicado mas não é, com mais calor é caso para dizer que "ardeu", a não ser que se produza. É preciso proteger nascentes e margens para se mantenham os quantitativos, mas o problema não se resolve totalmente pois as cidades deixaram de produzir e são apenas consumidores de água. O aumento do stress hídrico e essa solidariedade regional (em muitos casos forçada) não ajuda. Ou seja, temos de ter outra forma de usar e proteger o nosso recurso mais vital. 

Deveríamos repensar o papel das Nações Unidas

por José, em 21.03.19

Através das suas agências, comissões e programas que as Nações Unidas têm desempenhado um papel fundamental na paz mundial, na ciência, na cultura e na aproximação dos povos. Mas infelizmente nem tudo tem corrido bem. Desde logo por manter um conjunto de membros permanentes do Conselho de Segurança com representação garantida e direito de veto, que muito contribui para a instrumentalização política da organização. Vários países queixam-se de contribuirem muito, outras preferiam não ter ingerência interna da organização. A ideia dos capacetes azuis é boa, mas é um papel difícil de desempenhar e cheio de escândalos. Muitos problemas para uma máquina muito burocrática. Não tinha expectativas quanto à participação de António Guterres como secretário-geral, como portugueses temos tendência a idolatrar ou a rejeitar em face das nossas simpatias políticas, não vejo isso assim, se chegou onde chegou terá competência. Durão Barraso durante muito tempo foi considerado alguém que poderia fazer a diferença na política e depois deu no que deu, foi um péssimo primeiro-ministro e vendeu-se a diversos interesses na Comissão Europeia. Com Guterres não será diferente, talvez o lugar exige muito jogo de cintura e para esse jogo de cintura será necessário um currículo especial. Seja como for, o problema central não é esse, mas sim de uma cenário complicado na história da civilização, que por si só exigia o repensar do papel das Nações Unidas como um todo e das suas instituições em particular. Não faz sentido ter um exécito e não ter meios de socorro de prontidão. Ok, existe a Cruz Vermelha, mas essa anda meio perdida. Muito se falou dela em décadas anteriores, agora quase não se sabe que existe. É preciso maior articulação entre estas instituições, pois novos e mais violentos problemas exigem uma resposta robusta e concertada.

O terrorismo e as alterações climáticas são as principais ameaças da humanidade

por José, em 21.03.19

A situação que vive Moçambique deve ser uma lição, até por respeito aos mortos. A prioridade agora é acudir as populações, retira-las da área de risco, fornecer comida e cuidados básicos de saúde. Em seguida é necessário avaliar o que se passou, não com a natureza, mas com a previsão meteorológica e sistemas de alerta. Mesmo que seja um dos países mais pobres do mundo tem alguns meios e tem grandes organizações internacionais que têm leituras por satélite em tempo real. O que aconteceu? O problema foi detectado mas não existem meios no terreno para difundir alertas? E a rádio? Existem responsabilidades que devem ser apuradas. Por outro lado, é um fenómeno climático que segundo diz quem sabe se vai agravar. A humanidade vive duas grandes ameaças: o terrorismo e vários outros ismos e as alterações climáticas. Podemos fechar os olhos, mas depois deveremos assumir os nossos actos.

Deixei de ver televisão

por José, em 20.03.19

Não foi por qualquer vaidade mas deixei de ver televisão. Em abono da verdade já via pouco. Em Portugal tinha apenas os canais TDT e mesmo esses eram para passar algum tempo ou para adormecer com a TV sem som. Quando cheguei ao Brasil eemprestaram-me um aparelho, mas ou por não ter o famoso comando ou por passar apenas tragédias tinha semanas que não a ligava. Ainda não a devolvi mas entretanto veio a passagem da analógica à digital, deixei de ver. Poderia comprar uma mas não me faz falta, qualquer coisa acompanho na internet. De referir que este meu desapego nunca foi assim, pois pelos meus cinco anos já me escapava de casa para ver televisão no café da aldeia. Lá ficava meio escondido, ou pelo menos pensava eu, pois já conheciam esse meu hábito. Adorava westerns, não pela mensagem ou seja o que for, acho que me atraía ver o ecrã com movimento. A mensagem não seria, pois na RTP os flmes sempre foram legendados e eu aprendi a ler mais tarde, mas vibrava com aquilo. Nunca tive televisão por cabo, morei num prédio que chegou a ter satélite, mas eram outros tempos. Estas séries podem ser interessantes mas prendem a pessoa em casa. Eu que adorava ir ao cinema até parte desse hábito acabei por largar preferindo actividades de ar livre. Mas gosto e por vezes vou. É sempre estimulante sair e dialogar sobre a história ou permitir que determinado filme nos marque.

Obrigado pelo destaque

por José, em 20.03.19

Agradeço ao Sapo Blogs ter dado destaque a mais uma pequena reflexão que por aqui deixo. Nem me lembrava quando é que tinha escrito, pois passaram mais de 15 dias e no vai que não vai acabo por escrever muita coisa. Sou do tempo em que os Sapo Blogs, além dos destaques, tinha a lista actualizada em tempo real dos blogs. É certo que podemos subscrever e ser subscritos, mas esse pequeno mecanismo gerava boa interacção entre quem escreve e quem lê, que até podem ser a mesma coisa. Não creio que o tempo dos blogs tenha passado, pelo contrário, com o afastamento das pessoas do Facebook tornou-se uma nova oportunidade. Gosto do Facebook mas dada a repetição de informação e de mirones lembra as páginas do Correio da Manhã ou semelhante no tempo das chamadas de valor acrescentado. Os blgos são uma oportunidade para quem prefere dizer mais que bom dia e deixar um relato e/ou imagem de qualquer situação do quotidiano. São mais fechados que as redes sociais mas isso depende do sucesso que sai em sorte e antes disso da exposição que queremos ter. A minha principal ideia aqui é que as narrativas são mais importantes que o narrador, mas cada um tem as suas leituras e opções.

Dia Internacional da Felicidade

por José, em 20.03.19

É apenas mais um dia no calendário, mas o dia 20 de Março foi escolhido para ser o Dia Internacional da Felicidade. Aquilo que parece ao nosso alcance e por vezes escapa tem, seguindo critérios rigorosos, um conjunto de dimensões e indicadores que compõe o índice de Felicidade mundial. O Butão liderou a ideia de felicidade durante muitos anos, aliás praticamente tudo começou com o Butão, mas da idia à medição através de um índice vai uma grande distância. No índice o Butão aparece no lugar 95 em que lidera a Finlândia. Não esperem que a posição dos países no índice vá de encontro às vossas expectativas. Como são indicadores subjetivos acabam muito dependentes da leitura do sujeito face à sua realidade. Os portugueses são por natureza pessimistas, na prática nem tanto, mas o seu auto-proclamado pessimismo atira o país para o lugar 66. O Brasil que é o país de um enorme pessimismo surge no lugar 32. Mais informações no link.

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Por ser Dia do Pai

por José, em 19.03.19

Tantas vezes faltam as forças, tantas vezes se controlam as lágrimas, outras que não temos como as evitar, a vida é uma conquista, mas nada se faz sem esforço, muito menos sem sofrimento, tomado aqui não no seu sentido literal, ainda que possa acontecer, mas de esforço, ou como diz o povo "é preciso penar um pouco". Os nossos dias são assim, sejamos emigrantes, deslocado, entediados, acomodados ou seja o que for. Longe dos nossos é mais difícil, sobretudo quando a distância não tem quilómetros nem limites, é a de alguém que parte e não volta para jantar. Tem ausências que pesam os nossos fazem parar para se arranjar qualquer de estratégia que permita seguir. De pouco adiantam lamentos, todos ajudam, mas sempre nos vão dizendo "a vida segue, segue tu também". Isso acontece no amor, na morte e seja no que for. Só quem vive as situações sabe o que comportam. Assim tenho seguido. Nos meus passos, nos pensamentos e no apontar de caminhos. Não deixamos de crescer felizes, mas crescemos sem uma parte de nós se pelas circunstâncias a vida leva essa pessoa. Podemos ficar a olhar o vento e as estrelas, mas assim não vamos conseguir avançar. Sempre fiz outras escolhas, a de honrar os meus antepassados, estejam onde onde estiverem. A força que dá acreditar que se sentiram felizes pode não ser suficiente, mas dá alento e esperança. Para um descrente no referente à fé é um desafio maior, mas existem convições que ultrapassam os deuses. As nossas certezas e o nosso imaginário estão lá onde a memória nos deixar e estendem a mão de quem nos acena.

Confidente acidental

por José, em 19.03.19

Tenho dado por mim a escutar coisas que preferia não ouvir, não por serem segredos de estado, mas pela forma como as pessoas as colocam e na situação em que nos colocam, nunca se sabe se esperam que sejamos confidentes ou se nos estão a tentar manipular no sentido de se levar a mensagem a outrém. Não tenho paciência para isso, sobretudo quando as afirmações trazem certo tom de quase ameaça para a terceira parte ausente. É aí que penso que querem que se leve o recado a alguém. Azar dos azares, pois tenho um princípio que gosto de cumprir, o nosso belo ditado segundo o qual "quem leva e traz nunca deixa paz!". Gosto de seguir à letra esse ditado, obviamente pelo inverso, e ficar no meu canto e não me envolver com lutas de egos. Pior de tudo é que isto não acontece nas esferas pessoais mas nas mais altas esferas e com pessoas aparentemente bem formadas. Criticam as aldeias mas tem muita gente com mentalidade de aldeia. Na aldeia outrora era típico na compra do pão pela manhã na mercearia se ficar a saber de todas as novidades, como uma espécie de rádio, TV e jornal em simultâneo. Tem gente que se comporta dessa maneira. Detesto tudo isso. 

Deixem de odiar os imigrantes

por José, em 19.03.19

Não sei o que dizer perante afirmações sobre quem é obrigado a deixar o sue país na tentativa de procurar uma vida melhor. É tratado abaixo de bandido quando apenas quer ter uma oportunidade na vida. É preciso corrigir as situações de ilegalidade e cada país ter uma política bem definida de acolhimento. Sabemos que tem gente oportunista que ganha engana gente inocente, colocando as pessoas em parte incerta e subjugadas a redes. Nada disso é estranho para nós, já tivemos casos de redes clandestinas e, mais ainda, já fomos para outros países a partir dessas redes. Talvez o foco devam ser essas redes e não quem quer uma vida melhor. Por outro lado, não vamos esquecer que a única forma de manter as pessoas no seu país é criar condições para tal. Outrora existiam alguns programas de cooperação nesse sentido, mas desde que a produção industrial passou para a China que muitos países ficaram sem algumas empresas. O dinheiro gasto em acolhimento, que quase não existe, pois em casos como os da Europa os países preferem fazer vista grossa, daria para gerar riqueza nos países e manter as pessoas nas suas terras. Precisamos repensar os modelos de solidariedade e os movimentos migratórios. As grandes instituições internacionais que dizem financiar as crises deveriam financiar programas de mudança. Geralmente querem enriquecer à custa dos mais pobres. Assim como com a troika em Portugal e assim será em qualquer canto do mundo.

Muita diversidade e maior desconhecimento

por José, em 18.03.19

Tem muito brasileiro que desconhece o que está à sua volta e muito português que olha apenas para o país das novelas, das praias e da política. A verdade é que existem muitos países dentro de um Brasil só. Conheço uma pequena parte e acho a cada dia que tenho um mundo para conhecer, tanto pessoas, como paisagens, como dinâmicas territoriais. No Nordeste tem paisagens que por vezes lembram Portugal, tem outras marcadas pela cor de tijolo, tem outras que lembram outro planeta, tal o efeito da seca no solo. Cada comunidade é marcada por quem a habitou desde sempre. No Seridó, interior do estado do Rio Grande do Norte e da Paraíba, tem homens altos e brancos, sinto-me em casa, não por qualquer tipo de racismo, mas por me sentir familiarizado com a fisionomia e por não ser olhado como gringo. Em muitos lugares da cidade e por várias ocasiões sou reconhecido como estrangeiro, pois na capital do estado o típico é o homem ser mais moreno, com tez queimada pelo sol, estatura baixa, olhos castanhos e envelhecimento rápido. Tento vestir algo normal por aqui para não ser reconhecido também pelas cores do vestir, ainda assim não é fácil, pois em certas ocasiões dá jeito camisa, (com bolsos para arrumar o equivalente ao cartão multibanco). O uso do dinheiro é menos frequente, excepto no interior por eventuais dificuldades de ligação à internet. Como está sempre calor a roupa é mínima. Nos dias da semana calças, t-shirt (aqui tem nome de camiseta) ou camisa, mas ou fim de semana ou mesmo no fim da tarde qualquer bermuda, sandálias ou chinelas dá prefeitamente. Não gosto de andar em tronco nu, pelo que visto sempre algo. Voltando à diversidade dentro do país, só no estado conheço regiões bem diferentes: a Sul, uma de serra também na fronteira com a Paraíba (aqui dizem divisa) muito semelhante às nossas serras do centro e norte de Portugal, e outra agrícola, na qual os campos de milho lembram a lezíria ou a região de Aveiro; a Norte e Oeste as diferenças são maiores, por vezes como que atravessamos o Alentejo ou o região da Guarda Espanha fora, outras o calor é tanto que nem os arbustos da caatinga crescem. Sensivelmente a Noroeste voltam as serras, nesses casos com uma mancha maior e mais elevadas. Na verdade uma das serras acaba por atravessar pelo menos dois estados: a serra da Aboborema vem lá da Paraíba e atravessa parte do Rio Grande do Norte. Mas mais distante ainda tem mais serras, não só a de Santana mas a de Martins e outras mais já quase no limite Oeste do estado, na chamada tromba do elefante. Tem diferenças e semelhanças, mas o sorriso e a pureza das pessoas é igual em todo lugar. 

Onde pára a identidade cultural brasileira?

por José, em 17.03.19

Quando olhamos para o Brasil a partir de Portugal vemos várias coisas, agora sobretudo instabilidade, insegurança e rumo incerto, mas já tivemos outras imagens em nós. Por vezes as praias do Nordeste e de todo lugar, sempre o samba e o futebol, a poesia, a literatura, a Amazónia. Muitas imagens de encanto. Infelizmente algumas dessas imagens estão a escapar-se nestes tempos sombrios. Faço voltos para que toda essa identidade ajude a fazer recuperar este país enorme e encantador. Não deixo de partilhar uma das mais belas composições do Nordeste, e não é forró ou baião do mestre Luiz Gonzaga, é sim freve. Somente na primeira viagem ao Brasil tive contacto com esta música e dança, muito característica do Carnaval de Olinda e Recife. Visitei o Museu do Frevo em Recife antigo, pertinho do Marco Zero, vale a pena.

No caso partilho um frevo com voz da inconfundível Amelinha e composição de Zé Ramanho, duas figuras marcantes do cenário musical regional de nacional, que chegaram a ser casados. Zé Ramalho é do estado da Paraíba, é primo de Elba Ramalho. tem uma longa carreira e reconhecimento internacional. Amelinha faz parte do Pessoal Ceará, um grupo que incluia Fagner, Belchior, Ednardo.

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