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Crónica potiguar

Crónica potiguar

Haverá interesses na greve dos camionistas de matérias perigosas

Abril 17, 2019

José

Como dificilmente se acredita no Pai Natal, até as crianças desconfiam, haverá interesses ocultos a movimentarem-se face à greve dos camionistas de matérias perigosas. É um pouco estranho que existindo pré-avisos de greve, serviços de espionagem, agora ditos de inteligência, e tudo mais e a greve apanhou os portugueses de surpresa. Da parte dos políticos talvez não tenha sido de supresa, pois pensariam que a coisa não ia acontecer e foram ocultando, mas da parte do chamado povo sim. Sou obviamente favorável ao exercício da greve por parte dos trabalhadores, mas é necessário reflectir sobre alguns tópicos. O primeiro, é saber quem lucra? A associação do sector? Talvez, mas só se o objetivo for marcar posição. Os sindicatos? Nim, pois a popularidade vai por água (ou será combustível) abaixo quando os portugueses se manifestarem descontentes. Os partidos que orientam ideologicamente os sindicatos? Sim e não. Pois fragiliza o governo e tem consequências em partidos como o PCP. Podem ser vários factores, mas acredito que sejam alguns empresários do sector a mobilizar os funcionários. O PS pouco importa, mas o país já está a perder e Espanha a esfregar as mãos. Ainda assim sabemos os motivos e apoiamos. Mas não é por isso que se antevê qualquer mudança. Vai ser como no Brasil na última greve, recebem um favorzinho mas o problema é estrutural. A dependência do transporte rodoviário e das energias fósseis é enorme, é necessário mudar a sério. Mudar não é apenas os meios de transporte e os combustíveis, é preciso mduar a relação lugar de produção-lugar de consumo. Precisamos cada vez e sempre que possível, produzir para os mercados de proximidade. É certo que alguns produtos necessitam de procurar novos mercados, mas acabamos por importar produtos básicos, sobretudo alimentares, que mereciam alguma atenção. Durante algum tempo a laranja do Algarve foi preterida relativamente à de Valência, a de Setúbal praticamente desapareceu. Necessitamos reverter muitos desses processos, de outra forma criamos necessidades especiais que se retro-alimentam dos problemas que geram.

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