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Crónica potiguar

Preconceito e desconhecimento das Universidades brasileiras

por José, em 12.05.19

Não é nada de novo, desde a minha licenciatura que se escutam argumentos preconceituosos contra as universidades brasileiras e as suas editoras. Existem casos e casos, mas na generalidade não são aquilo que se diz sem conhecer. Em conversa com um amigo a tese dele é que eu aqui pouco tenho a ganhar, pois as universidades do dito primeiro mundo é que são boas. Oh meu Deus tanto desconhecimento (eu que nem crente sou)! Primeiro, tem várias universidades entre as melhores do mundo. É fácil as universidades americanas terem muitos artigos publicados, é na sua língua que publicam. De qualquer modo tem excelentes universidades no Brasil e excelentes cientistas. Só o desconhecimento e uma visão europocêntrica dirá o contrário. Existem aapectos a melhor? Claro que existem. O ensino público anterior à entrada na Universidade é uma das principais barreiras. Na maioria dos cursos é complicado motivar os alunos e mostrar-lhe que não existe só o Brasil, é necessária uma leitura mais abrangente. Depois tem os velhos problemas estruturais, tanto de apoio ao funcionamento das aulas como externos. Por exemplo, na turma da noite os alunos não querem ficar até final pois quem vai de autocarro tem o famoso assalto das 10horas da noite. É muito difícil lidar com essas situações. Mas tem muita coisa boa que não vejo Portugal a chegar aos calcanhares. Entre elas a insistência em projectos de extensão e a ideia de iniciativas complementares. A extensão está em fase de aperfeiçoamento, pois ainda apresenta lacunas. A proposta é a de ter iniciativas viradas para a comunidade. A base aqui é ensino, pesquisa e extensão. As iniciativas complementares estão geralmente na pesquisa. São muito importantes para integrar o aluno desde os primeiros anos na Universidade, no equivalente à nossa licenciatura, ser integrado em grupos de investigação. É uma oportunidade para aprender, se articular e também crescer como pessoa. Apesar das dificuldades classificar as universidades brasileiras como sendo de segunda categoria é um exercício de arrogância. Mas é claro que têm de melhor vários aspectos, sobretudo a internacionalização e a promoção de uma visão mais ampla do conhecimento. Porém, têm uma aprendizagem resultante da experiência que devem transmitir para o exterior.

4 comentários

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    De José a 13.05.2019 às 16:48

    Sim, continua a ser uma das melhores do mundo, tal como a USP. Mas em Portugal preferimos tudo o que é anglosaxónico. Até a língua francesa perdeu e é quase esquecida. É uma pena. Esqueci de falar das editoras. A Vozes sempre foi uma referência.
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    De P. P. a 13.05.2019 às 17:37

    Concordo com a Sara.

    Refira-se ainda o preço dos manuais brasileiros e dos "nossos".
    Pessoalmente, gosto de saber. Não valorizo a ou b. No que leio tenho que encontrar argumentação e fundamentação.
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    De José a 13.05.2019 às 18:26

    Referia-me essencialmente a livros científicos, pois o romance e a poesia têm cada vez mais editoras que estão em ambos os países. A edição científica sempre foi um problema, agravado pelo facto da publicação de livros contar pouco para o currículo. Em alguns casos existem razões para isso, pois algumas traduções são horríveis, pior só mesmo as primeiras edições do Instituto Piaget. Na ciência existe muito preconceito com os conteúdos do Brasil, por vezes com razão, pois são muito centrados no país, por vezes sem que o estado da arte consiga reflectir a realidade de determinado tema, mas por vezes de forma injusta. Recentemente deixavam uma observação nesse sentido num texto que ajudei a produzir, o problema é que é raro ou nunca acontece que esse estado da arte feito em Portugal use autores brasileiros sobre temas que no Brasil até têm alguma especificidade.
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